{"id":1273,"date":"2026-03-06T02:11:04","date_gmt":"2026-03-06T05:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=1273"},"modified":"2026-03-06T02:11:05","modified_gmt":"2026-03-06T05:11:05","slug":"diap-e-centrais-sindicais-no-enfrentamento-ao-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=1273","title":{"rendered":"DIAP e Centrais Sindicais no enfrentamento ao feminic\u00eddio"},"content":{"rendered":"\n<p>Rita Serrano*<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil vive uma escalada de viol\u00eancia contra a mulher que j\u00e1 n\u00e3o pode ser tratada como estat\u00edstica fria \u2014 \u00e9 uma crise social que atravessa fam\u00edlias, comunidades e tamb\u00e9m o mundo do trabalho. Em 2025, o Pa\u00eds registrou recorde hist\u00f3rico de feminic\u00eddios: 1.518 mulheres assassinadas por raz\u00f5es de g\u00eanero, uma m\u00e9dia de quatro mortes por dia. No mesmo per\u00edodo, a Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher estima que 3,7 milh\u00f5es de brasileiras sofreram algum tipo de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar nos \u00faltimos 12 meses. No campo das den\u00fancias e do atendimento, dados oficiais do Ligue 180 permitem acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o e o perfil das viol\u00eancias reportadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A gravidade \u00e9 ainda maior quando olhamos a tend\u00eancia: desde a tipifica\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio em 2015, os registros cresceram de forma consistente, e estudos de refer\u00eancia ajudam a contextualizar esse avan\u00e7o e suas din\u00e2micas regionais. A experi\u00eancia mostra que o feminic\u00eddio costuma ser o desfecho de uma escalada de viol\u00eancias anteriores, o que torna decisiva a resposta r\u00e1pida do Estado e o fortalecimento da rede de prote\u00e7\u00e3o \u2014 casas-abrigo, delegacias especializadas, atendimento psicossocial e jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2026, o pa\u00eds deu um passo de coordena\u00e7\u00e3o institucional ao lan\u00e7ar o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminic\u00eddio, reunindo os Tr\u00eas Poderes para acelerar medidas protetivas, fortalecer a responsabiliza\u00e7\u00e3o de agressores e promover campanhas permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, centrais sindicais e sindicatos v\u00eam sustentando que o enfrentamento ao feminic\u00eddio n\u00e3o se resolve apenas com puni\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a trag\u00e9dia, mas com preven\u00e7\u00e3o, or\u00e7amento, pol\u00edticas p\u00fablicas e atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no mundo do trabalho. A negocia\u00e7\u00e3o coletiva pode salvar vidas: se h\u00e1 experi\u00eancias de cl\u00e1usulas e protocolos voltados ao acolhimento, prote\u00e7\u00e3o e suporte a trabalhadoras em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u2014 inclusive com medidas de realoca\u00e7\u00e3o, altern\u00e2ncia de hor\u00e1rios e canais de apoio. &nbsp;A categoria banc\u00e1ria \u00e9 um exemplo de pioneirismo nos acordos coletivos em &nbsp;temas relacionados \u00e0 diversidade e viol\u00eancia dom\u00e9stica. Desde 2024, foi inclu\u00eddo&nbsp;&nbsp;aditivo espec\u00edfico sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica na Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho. As cl\u00e1usulas incluem altera\u00e7\u00e3o de regime de trabalho para mulheres v\u00edtimas, realoca\u00e7\u00e3o sigilosa de ag\u00eancia, altern\u00e2ncia de hor\u00e1rios de entrada e sa\u00edda, linhas de cr\u00e9dito emergenciais, canais de apoio e campanhas educativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista legislativo, o marco legal foi fortalecido com a Lei n\u00ba 14.994\/2024, que tornou o feminic\u00eddio crime aut\u00f4nomo e elevou a pena para 20 a 40 anos. Mas a efetividade depende de preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de respostas do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como presidenta do DIAP, reafirmo o compromisso com a articula\u00e7\u00e3o no Congresso para aprovar proposi\u00e7\u00f5es com impacto direto na prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e na repara\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. Entre elas, o PL 200\/2026, que institui pol\u00edtica nacional de prote\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o integral \u00e0s fam\u00edlias de v\u00edtimas de feminic\u00eddio; o PL 207\/2026, que prev\u00ea pens\u00e3o provis\u00f3ria e medidas assecurat\u00f3rias contra o agressor;? e o Requerimento 74\/2026, no Senado, que prop\u00f5e sess\u00e3o tem\u00e1tica para discutir o recorde de casos e articular institui\u00e7\u00f5es e sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta de viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;*Rita Serrano \u2013 Presidente do DIAP \u2013 Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Ex-presidente da Caixa Federal do Sindicato dos Banc\u00e1rios do ABC. &nbsp;Doutoranda em Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: DIAP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rita Serrano* O Brasil vive uma escalada de viol\u00eancia contra a mulher que j\u00e1 n\u00e3o pode ser tratada como estat\u00edstica fria \u2014 \u00e9 uma crise social que atravessa fam\u00edlias, comunidades e tamb\u00e9m o mundo do trabalho. 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