{"id":205,"date":"2012-10-19T18:47:45","date_gmt":"2012-10-19T18:47:45","guid":{"rendered":"http:\/\/novo.sinproce.org.br\/?p=205"},"modified":"2012-10-19T18:47:45","modified_gmt":"2012-10-19T18:47:45","slug":"o-trabalho-dos-professores-novas-realidades-novos-discursos-novos-sentidos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=205","title":{"rendered":"O trabalho dos professores: novas realidades, novos discursos, novos sentidos"},"content":{"rendered":"<p> \tApesar da evidente grosseria desses argumentos, todos eles juntos e apresentados com arma&ccedil;&otilde;es conceituais e pedag&oacute;gicas que enaltecem as virtudes da atividade educacional, quase sempre enobrecendo-a, fazem a cabe&ccedil;a de muitos e seduzem, ainda mais quando v&ecirc;m acompanhados de autoridades reconhecidas no campo pedag&oacute;gico.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p> \t&Eacute; o caso, por exemplo, do entrevistado pela revista <em>Nova Escola<\/em>&nbsp;na sua edi&ccedil;&atilde;o deste m&ecirc;s de outubro de 2012 (indispon&iacute;vel na rede), o professor Ant&oacute;nio N&oacute;voa, um estudioso justamente celebrado entre os educadores brasileiros pela vis&atilde;o abrangente que tem da Educa&ccedil;&atilde;o na sociedade contempor&acirc;nea. O argumento de N&oacute;voa &eacute; conhecido: a responsabilidade social da Escola nos dias atuais encontra-se superdimensionada (&quot;carrega a carga de caminh&otilde;es sobre rodas de bicicleta&quot;) e ela &eacute; talvez, das institui&ccedil;&otilde;es que integram a esfera p&uacute;blica, uma das que mais sistematizadamente t&ecirc;m sido penalizadas pelas expectativas que a sociedade nutre a seu respeito, como se estivesse na Escola a resposta para os problemas que cansamos de denunciar todos os dias: a viol&ecirc;ncia, o egocentrismo e o hiperindividualismo, a desintelectualiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento etc.<\/p>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tN&oacute;voa tem raz&atilde;o quando afirma que a figura que mais vive o tensionamento desse processo &eacute; o professor, o que exigiria dele um esfor&ccedil;o <em>extraordin&aacute;rio<\/em>&nbsp;de qualifica&ccedil;&atilde;o para dar conta do desafio que a Escola lhe transfere. Essa constata&ccedil;&atilde;o, no entanto, soa como m&uacute;sica nos ouvidos dos empres&aacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o &#8211; e, infelizmente, de forma precipitada, tamb&eacute;m aos ouvidos de muitos professores: na escola privada, o entendimento do que vem a ser &quot;qualifica&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; bem diferente daquilo que N&oacute;voa diz. Qualifica&ccedil;&atilde;o ali &eacute; volume, &eacute; obsess&atilde;o pelo registro das quantidades, &eacute; o tempo desperdi&ccedil;ado com projetos educacionais de natureza mercantil e &eacute; tamb&eacute;m&#8230; o uso irracional das tecnologias digitais. Em s&iacute;ntese, qualifica&ccedil;&atilde;o &eacute; sobre-trabalho do professor e n&atilde;o qualquer atividade pedag&oacute;gica consequente com o desafio que a Escola enfrenta. O tratamento que a revista <em>Nova Escola<\/em> deu ao assunto, no entanto, &eacute; superficial e desvinculado da realidade do trabalho docente, como se aquilo que o professor faz n&atilde;o se materializasse, n&atilde;o existisse f&iacute;sica e materialmente. Mas &eacute; bom deixar claro: a perspectiva da <em>Nova Escola <\/em>n&atilde;o tem nada a ver com a excel&ecirc;ncia da entrevista de N&oacute;voa. O que a revista deixou de fazer foi aproveitar, com acuidade, a qualidade das reflex&otilde;es do professor portugu&ecirc;s&#8230;<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div> \t\tPior que isso &eacute; o que faz a revista <em>&Eacute;poca<\/em> na mat&eacute;ria de capa de sua edi&ccedil;&atilde;o no. 54, de setembro de 2012 (<em><a href=\"http:\/\/epocasaopaulo.globo.com\/vida-urbana\/o-fascinio-da-escola-tecno\/\">aqui<\/a><\/em>). A reportagem &eacute; toda produzida no tom do deslumbramento que as tecnologias digitais provocam nos esp&iacute;ritos menos exigentes, sempre prontos a ver uma <em>revolu&ccedil;&atilde;o por minuto<\/em> em cada novidade eletr&ocirc;nica. Sob o t&iacute;tulo &ldquo;O fasc&iacute;nio da escola tecno&rdquo;, o que a revista faz, na verdade, &eacute; amontoar informa&ccedil;&otilde;es dispersas sobre os novos padr&otilde;es de comportamento que os estudantes &ndash; desde cedo, muito cedo &ndash; adquirem diante de recursos como <em>tablets<\/em>, <em>smartphones<\/em> etc, elementos que fizeram nascer &ldquo;uma nova rotina escolar&rdquo;. &Eacute; tudo verdade, mas a ilustra&ccedil;&atilde;o que acompanha o texto da mat&eacute;ria &ndash; um encadeamento de fluxos e contra-fluxos de informa&ccedil;&otilde;es e recursos, um obscuro painel de <em>inputs<\/em> e <em>outputs<\/em> de procedimentos, n&atilde;o faz uma &uacute;nica &ndash; nem uma &ndash; refer&ecirc;ncia ao professor, embora afirme que o que est&aacute; ali descrito &eacute; &ldquo;a sala de aula do s&eacute;culo XXI&rdquo;, com esta p&eacute;rola: &ldquo;Para capturar a aten&ccedil;&atilde;o de todos, longas explana&ccedil;&otilde;es deram lugar a atividades interativas&rdquo;.<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div> \t\tPois &eacute; assim mesmo: a escola como uma abstra&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica; sem a concretude do trabalho do professor, respons&aacute;vel pelas tais &ldquo;longas explana&ccedil;&otilde;es&rdquo;, e, de alguma forma, o articulador do trabalho que surge de toda essa nova complexidade. A Escola, no entanto, v&ecirc; isso como uma decorr&ecirc;ncia natural das mudan&ccedil;as; nada que escape &agrave; &ldquo;nova rotina escolar&rdquo;. Ora, se &eacute; &ldquo;rotina&rdquo; por que ent&atilde;o falar em trabalho extraordin&aacute;rio?<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> \tPosso estar enganado, mas duvido: essa montagem discursiva em torno da nova realidade did&aacute;tico-pedag&oacute;gica contempor&acirc;nea &#8211; como tenho dito, um n&uacute;cleo sem&acirc;ntico que se articula com pr&aacute;ticas materiais e ideol&oacute;gicas &#8211; oculta pelo menos tr&ecirc;s dimens&otilde;es t&atilde;o delicadas quanto perigosas. A primeira &eacute; a que emerge de uma percep&ccedil;&atilde;o colonizada que os sujeitos envolvidos nesse processo t&ecirc;m das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o, entendido o termo &quot;colonizada&quot; como a abdica&ccedil;&atilde;o do sujeito e de sua autonomia intelectual; a escola e seus agentes submersos por uma puls&atilde;o que escapa ao seu controle. A segunda, que se alimenta dessa primeira, vem ao encontro da explora&ccedil;&atilde;o do trabalho no &acirc;mbito da intensa mercantiliza&ccedil;&atilde;o do ensino, mesmo quando ocultada sob a embalagem das virtudes da Escola e do of&iacute;cio do educador. E a terceira &eacute; aquela que fala sobre o papel da m&iacute;dia como funcionalizadora reiterativa desse complexo pela maneira como disp&otilde;e esses discursos na esfera p&uacute;blica. Estamos bem arranjados&#8230;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tFontes: <a href=\"http:\/\/sinprosp.org.br\/noticias.asp?id_noticia=1667\">SINPRO-SP<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.meusanexos.net\/2012\/10\/o-trabalho-dos-professores-novas.html\">jsfaro.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar da evidente grosseria desses argumentos, todos eles juntos e apresentados com arma&ccedil;&otilde;es conceituais e pedag&oacute;gicas que enaltecem as virtudes da atividade educacional, quase sempre enobrecendo-a, fazem a cabe&ccedil;a de muitos e seduzem, ainda mais quando v&ecirc;m acompanhados de autoridades reconhecidas no campo pedag&oacute;gico.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/205"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}