{"id":294,"date":"2014-06-03T13:12:43","date_gmt":"2014-06-03T16:12:43","guid":{"rendered":"http:\/\/novo.sinproce.org.br\/?p=294"},"modified":"2014-11-14T13:14:42","modified_gmt":"2014-11-14T16:14:42","slug":"tst-defende-contribuicao-sindical-para-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=294","title":{"rendered":"TST defende contribui\u00e7\u00e3o sindical para trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><em>O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Antonio Levenhagen (foto), defende que os sindicatos t\u00eam o direito de retirar uma parte do sal\u00e1rio do trabalhador brasileiro, mesmo que ele n\u00e3o seja filiado, para arcar com as despesas da entidade de classe.<\/em><\/p>\n<p><em><\/em><em>\u00a0O ministro \u00e9 a favor de que a contribui\u00e7\u00e3o assistencial volte a ser descontada uma vez por ano de todos os trabalhadores, independentemente da filia\u00e7\u00e3o sindical.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" alt=\"Antonio-LevenhagenTST\" src=\"http:\/\/www.diap.org.br\/images\/stories\/grafico\/Antonio-LevenhagenTST.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>Atualmente, o precedente normativo do TST s\u00f3 permite que a contribui\u00e7\u00e3o assistencial seja descontada do empregado sindicalizado. Assim como o imposto sindical &#8211; descontado na folha de pagamento de mar\u00e7o e equivalente \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de um dia de trabalho -, a contribui\u00e7\u00e3o assistencial tamb\u00e9m est\u00e1 prevista na Constitui\u00e7\u00e3o e na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), mas n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o legal sobre o valor e a forma como ela \u00e9 descontada do sal\u00e1rio do trabalhador.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o trabalhista diz que esses fatores devem ser definidos por meio de acordo ou conven\u00e7\u00e3o coletiva, mas h\u00e1 casos em que sindicatos conseguiram arrecadar at\u00e9 20% do sal\u00e1rio-base de um m\u00eas do ano de cada um dos filiados. Ou seja, a contribui\u00e7\u00e3o tem muito mais impacto no caixa das entidades do que o imposto sindical. O Minist\u00e9rio do Trabalho n\u00e3o faz levantamento do valor total da contribui\u00e7\u00e3o sindical nem de como \u00e9 feita a distribui\u00e7\u00e3o entre as entidades.<\/p>\n<p>&#8220;Os sindicatos est\u00e3o em polvorosa com esse precedente normativo. Se o acordo vale para todos, por que s\u00f3 o sindicalizado contribui e o outro trabalhador que vai receber os mesmos benef\u00edcios n\u00e3o contribui?&#8221;, questiona Levenhagen. &#8220;Eles entram na negocia\u00e7\u00e3o, conseguem vantagens para toda a categoria, mas s\u00f3 recebem a contribui\u00e7\u00e3o que serve para a manuten\u00e7\u00e3o da entidade daqueles que s\u00e3o sindicalizados. Os sindicatos n\u00e3o deixam de ter raz\u00e3o e isso acaba desmotivando na hora das negocia\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>O normativo anterior do TST permitia que a contribui\u00e7\u00e3o assistencial fosse descontada de todos os trabalhadores, com exce\u00e7\u00e3o daqueles que redigiam um termo pedindo para n\u00e3o pagar. Para Levenhagen, o \u00f3rg\u00e3o da c\u00fapula da Justi\u00e7a do Trabalho deve retomar a discuss\u00e3o para, provavelmente, voltar \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o que vigorava antes, embora seja um tema &#8220;dif\u00edcil&#8221;. Para isso, ele teria que pedir \u00e0 comiss\u00e3o de jurisprud\u00eancia do TST, que re\u00fane tr\u00eas ministros, um posicionamento sobre o tema, que depois seria levado ao plen\u00e1rio, que re\u00fane todos os ministros.<\/p>\n<p>Ele afirma que os sindicatos precisam muito desses recursos para a manuten\u00e7\u00e3o das entidades, que tamb\u00e9m desenvolvem outros projetos. &#8220;Muitos sindicatos oferecem aos seus integrantes benef\u00edcios que o Estado deveria promover e n\u00e3o fornece&#8221;, diz, citando como exemplos, assist\u00eancia m\u00e9dica, odontol\u00f3gica, pr\u00e1ticas esportivas, entre outros.<\/p>\n<p>Levenhagen diz que essa \u00e9 uma das quest\u00f5es que deveriam ser debatidas dentro de uma reforma sindical, mas n\u00e3o acredita que se tenha condi\u00e7\u00f5es de implement\u00e1-la. &#8220;Talvez seja mais f\u00e1cil fazer a reforma tribut\u00e1ria&#8221;, brinca. &#8220;Seria temer\u00e1rio da minha parte dizer o que fazer porque como magistrado cabe a mim apenas interpretar a Lei, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O assunto tamb\u00e9m n\u00e3o encontra consenso no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, mas o entendimento predominante \u00e9 que deve se manter a jurisprud\u00eancia atual &#8211; descontar a contribui\u00e7\u00e3o assistencial apenas dos sindicalizados &#8211; em parte devido \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das entidades.<\/p>\n<p>&#8220;Falta transpar\u00eancia aos sindicatos. Todo mundo presta contas no Pa\u00eds, menos essas entidades. Algumas n\u00e3o d\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o nem mesmo \u00e0s categorias que representam&#8221;, sentencia o procurador regional do trabalho Francisco G\u00e9rson Marques de Lima, presidente da Coordenadoria Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Liberdade Sindical (Conalis).<\/p>\n<p>Ele afirma que modelo de custeio do sindicalismo \u00e9 &#8220;antigo e arcaico&#8221; e contribui para que sejam criadas entidades de fachadas. &#8220;Como n\u00e3o tem ningu\u00e9m fiscalizando, \u00e9 uma porta aberta at\u00e9 mesmo para organiza\u00e7\u00f5es criminosas&#8221;, afirma. Lima defende que, se o TST promover uma altera\u00e7\u00e3o no normativo sobre a contribui\u00e7\u00e3o assistencial para permitir a cobran\u00e7a inclusive dos trabalhadores n\u00e3o sindicalizados, \u00e9 preciso colocar um limite para essa contribui\u00e7\u00e3o &#8211; em torno de 6% do sal\u00e1rio-base, defende. Ele afirma que h\u00e1 casos em que foram descontados 20% do sal\u00e1rio, bem acima do pr\u00f3prio reajuste que o sindicato tinha conseguido, que normalmente gira em torno da infla\u00e7\u00e3o acumulada no ano anterior.<\/p>\n<p>Segundo o procurador, o trabalhador n\u00e3o sindicalizado deve ter resguardado o direito de n\u00e3o permitir que a contribui\u00e7\u00e3o seja descontada do sal\u00e1rio, sem que os sindicatos estipulem prazos e exig\u00eancias descomedidas &#8211; como ser obrigado a ir \u00e0 sede da institui\u00e7\u00e3o pessoalmente para assinar a recusa &#8211; que, na pr\u00e1tica, impediam que o trabalhador se opusesse ao desconto.<\/p>\n<p>Lima tamb\u00e9m questiona conven\u00e7\u00f5es que decidem colocar a contribui\u00e7\u00e3o assistencial na conta das empresas. &#8220;Isso \u00e9 pior ainda porque, al\u00e9m de ilegal, faz com que os sindicatos fiquem nas m\u00e3os das empresas porque a maior parte que entra no caixa deles \u00e9 decorrente dessa contribui\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Multas<br \/>\nLevenhagen vai baixar um ato espec\u00edfico, no in\u00edcio do segundo semestre, para acelerar a resolu\u00e7\u00e3o de um dos principais problemas da justi\u00e7a trabalhista no Brasil &#8211; a baixa execu\u00e7\u00e3o dos processos.<\/p>\n<p>A ideia de Levenhagen \u00e9 tornar obrigat\u00f3rio que o juiz de primeira inst\u00e2ncia fa\u00e7a um levantamento nos processos j\u00e1 decididos por ele, e convoque a parte derrotada para o tribunal, de forma a esquematizar o pagamento da multa ou qualquer que tenha sido a decis\u00e3o. Este procedimento final, chamado de &#8220;execu\u00e7\u00e3o&#8221; do processo, \u00e9 uma das principais defici\u00eancias da justi\u00e7a trabalhista brasileira.<\/p>\n<p>Nem mesmo a san\u00e7\u00e3o da Lei 12.440 pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, considerada um &#8220;marco&#8221; para dinamizar a execu\u00e7\u00e3o dos processos na \u00e1rea, serviu para resolver o problema. A lei criou o Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), que instituiu uma esp\u00e9cie de &#8220;SPC das empresas com d\u00edvidas trabalhistas&#8221;. A l\u00f3gica era simples: uma empresa derrotada em senten\u00e7a ou acordo judicial j\u00e1 transitado em julgado que esteja inadimplente teria seu nome inscrito no BNDT e, assim, ficaria sem a certid\u00e3o negativa.<\/p>\n<p>&#8220;A execu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o de todo o Judici\u00e1rio, mas ela ganha conota\u00e7\u00e3o de dramaticidade na justi\u00e7a trabalhista, porque h\u00e1 a peculiaridade da verba. Agora queremos que o juiz chame o devedor \u00e0 vara trabalhista e alertar que se o d\u00e9bito n\u00e3o for pago, ele pode ser apenado com uma multa&#8221;, disse Levenhagen. &#8220;Esta \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria \u00e0 execu\u00e7\u00e3o trabalhista&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Quando corregedor nacional da justi\u00e7a do Trabalho, Levenhagen j\u00e1 tinha lutado para que os corregedores regionais pressionassem os ju\u00edzes a adotar esse caminho, uma esp\u00e9cie de concilia\u00e7\u00e3o para agilizar a execu\u00e7\u00e3o. Agora, como presidente do TST, ele vai trabalhar para tornar esse caminho obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;O magistrado est\u00e1 se alheando da discuss\u00e3o, ele n\u00e3o est\u00e1 mais presente na discuss\u00e3o. Isso se deve principalmente ao uso da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Os magistrados, inconscientemente, passaram a ficar alheios, e passaram a execu\u00e7\u00e3o a auxiliares da vara. Nesses processos se n\u00e3o tiver a presen\u00e7a do juiz, a hist\u00f3ria fica lenta. O juiz n\u00e3o pode deixar de estar presente na execu\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento mais delicado. \u00c9 a materializa\u00e7\u00e3o do direito, da decis\u00e3o&#8221;, afirmou o novo presidente do TST. (Fonte:<em>\u00a0Ag\u00eancia Estado<\/em>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Antonio Levenhagen (foto), defende que os sindicatos t\u00eam o direito de retirar uma parte do sal\u00e1rio do trabalhador brasileiro, mesmo que ele n\u00e3o seja filiado, para arcar com as despesas da entidade de classe. \u00a0O ministro \u00e9 a favor de que a contribui\u00e7\u00e3o assistencial volte a ser&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=294"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":296,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions\/296"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}