{"id":448,"date":"2016-08-11T13:20:42","date_gmt":"2016-08-11T16:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=448"},"modified":"2016-08-11T13:20:42","modified_gmt":"2016-08-11T16:20:42","slug":"associacao-de-juizes-do-trabalho-critica-declaracoes-do-presidente-do-tst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinproce.org.br\/?p=448","title":{"rendered":"Associa\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes do Trabalho critica declara\u00e7\u00f5es do presidente do TST"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal O Globo, o novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho, defendeu a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas como sa\u00edda para a crise e criticou a parcialidade pr\u00f3-trabalhador que v\u00ea dentro deste ramo do Judici\u00e1rio. Para a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra), os coment\u00e1rios atraem carga de &#8220;ran\u00e7o e preconceito&#8221; contra a Justi\u00e7a trabalhista.<br \/>\nA resposta da Anamatra veio por nota p\u00fablica, na qual a associa\u00e7\u00e3o destaca o trecho da entrevista que mais incomodou: quando o presidente do TST disse que a Justi\u00e7a do Trabalho &#8220;d\u00e1 de m\u00e3o beijada&#8221; indeniza\u00e7\u00f5es de at\u00e9 um milh\u00e3o de reais e quando afirmou que a situa\u00e7\u00e3o virou &#8220;loteria&#8221;. A entidade de magistrados classificou a frase de &#8220;generalista e descontextualizada&#8221; e afirmou que ela apenas contribui para atrair mais preconceitos &#8220;por parte daqueles que hoje j\u00e1 se encontram incomodados com a atua\u00e7\u00e3o eficiente desse importante ramo do Poder Judici\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Na entrevista, Gandra Filho opina que a Justi\u00e7a do Trabalho deveria privilegiar o negociado entre sindicatos e empresas em vez do que est\u00e1 na legisla\u00e7\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o foi duramente criticada pela Anamatra, por entender que a &#8220;redu\u00e7\u00e3o, derroga\u00e7\u00e3o ou negocia\u00e7\u00e3o prejudicial de direitos trabalhistas, pela via negocial coletiva, somente est\u00e1 autorizada nos estreitos limites daquilo que foi excepcionado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Qualquer passo em outro sentido tende a ser, na pr\u00e1tica, retrocesso social eivado de desconformidade constitucional e convencional&#8221;.<\/p>\n<p>Por fim, a associa\u00e7\u00e3o ressalta que &#8220;fragilizar as regras jur\u00eddicas gerais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho \u00e9 negar a tutela legal deferida aos seus destinat\u00e1rios, h\u00e1 mais de setenta anos, e h\u00e1 mais de vinte e cinco refor\u00e7ada pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Contra essas proposi\u00e7\u00f5es retrocessivas se coloca a Anamatra, com fiel observ\u00e2ncia ao decidido em seus Congressos, ao comando de seu Estatuto e em defesa do Direito do Trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>A diverg\u00eancia entre a associa\u00e7\u00e3o e o ministro \u00e9 bem mais antiga que a entrevista para o jornal carioca. Um dos exemplos dessa rusga foi a quebra da tradi\u00e7\u00e3o de a Anamatra pagar o jantar de confraterniza\u00e7\u00e3o como gesto de boas vindas a todo novo presidente do TST. Quando Gandra Filho ascendeu ao posto m\u00e1ximo da Justi\u00e7a do Trabalho, no entanto, n\u00e3o houve tal evento patrocinado pela associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia abaixo a nota da Anamatra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra), tomando conhecimento de entrevista concedida ao jornal O Globo pelo ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, neste domingo, dia 28 de fevereiro de 2016, vem a p\u00fablico, por seu estrito dever estatut\u00e1rio (artigo 4\u00ba), externar o seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1- A Anamatra avalia a entrevista do novo presidente do Colendo Tribunal Superior do Trabalho como express\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2- H\u00e1 concord\u00e2ncia com Sua Excel\u00eancia no que diz respeito a afirmar que as decis\u00f5es dos ju\u00edzes de primeiro e segundo graus devam ter maior efetividade, de modo a serem cumpridas independentemente dos recursos que tramitam nas Cortes Superiores. A busca por maior celeridade das decis\u00f5es judiciais, especialmente nesse ramo do Poder Judici\u00e1rio, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3- Do mesmo modo converge-se na avalia\u00e7\u00e3o de que o uso do FGTS como garantia no cr\u00e9dito consignado tem car\u00e1ter prejudicial e n\u00e3o ben\u00e9fico para o trabalhador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4- N\u00e3o pode a Anamatra deixar de registrar, entretanto, que outros pontos das convic\u00e7\u00f5es esbo\u00e7adas na entrevista ao O Globo n\u00e3o se identificam com o pensamento majorit\u00e1rio da Magistratura do Trabalho e nem com aquele dominante no \u00e2mbito da Corte Superior Trabalhista, notadamente quando se diz sobre os rumos do Direito do Trabalho no Brasil, e menos ainda quanto ao papel institucional da Justi\u00e7a Especializada ou quanto ao perfil de seus ju\u00edzes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5- Nesses termos, a Anamatra diverge cabalmente de afirmativas do novo presidente como as que indicam que magistrados, sejam de primeiro grau, desembargadores ou ministros, &#8220;d\u00e3o de m\u00e3o-beijada&#8221; aos trabalhadores indeniza\u00e7\u00f5es de at\u00e9 um milh\u00e3o de reais, como se a jurisdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse praticada com zelo, mas sim de modo irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6- Semelhante afirma\u00e7\u00e3o, generalista e descontextualizada, notadamente porque pronunciada por quem acaba de assumir a governan\u00e7a de um Tribunal Superior, agregada a reflex\u00f5es suas sobre o m\u00e9rito de debates t\u00e9cnico-jur\u00eddicos travados no pr\u00f3prio Tribunal e na Justi\u00e7a do Trabalho como um todo, n\u00e3o faz justi\u00e7a \u00e0 Magistratura do Trabalho, que exerce seus misteres com extrema seriedade e compromisso \u00e9tico; jamais para fazer favor \u00e0s partes, por qualquer vi\u00e9s ideol\u00f3gico que se imagine. Da\u00ed porque o coment\u00e1rio contribui unicamente para atrair, contra a Institui\u00e7\u00e3o, uma carga mais severa e injustificada de ran\u00e7o e preconceito, especialmente por parte daqueles que hoje j\u00e1 se encontram incomodados com a atua\u00e7\u00e3o eficiente desse importante ramo do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7- \u00c9 preciso que todos os agentes que lidam com a Justi\u00e7a do Trabalho compreendam a sua \u00edndole e a sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de existir, conscientes de que &#8220;o Direito do Trabalho responde fundamentalmente ao prop\u00f3sito de nivelar as desigualdades&#8221;, como bem afirmava Pl\u00e1 Rodriguez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8- N\u00e3o por outras raz\u00f5es, em v\u00e1rios Congressos da Magistratura do Trabalho (Conamats), h\u00e1 anos, os ju\u00edzes participantes defendem e aprovam teses que rejeitam a terceiriza\u00e7\u00e3o em atividades essenciais da empresa, como forma de evitar a les\u00e3o contumaz aos direitos fundamentais dos empregados; e, na mesma linha, afirmam o princ\u00edpio da progressividade e da n\u00e3o-regressividade dos direitos sociais, como disp\u00f5em o artigo 7\u00ba, XXVI, combinado com o artigo 114, par\u00e1grafo 2\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e com o artigo 26 do Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9- No mesmo sentido, ademais, caminham as teses de Conamats que rejeitam a preval\u00eancia do negociado sobre legislado, entendendo-se que a redu\u00e7\u00e3o, derroga\u00e7\u00e3o ou negocia\u00e7\u00e3o prejudicial de direitos trabalhistas, pela via negocial coletiva, somente est\u00e1 autorizada nos estreitos limites daquilo que foi excepcionado, em &#8220;numerus clausus&#8221;, pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal (artigo 7\u00ba). Qualquer passo em outro sentido tende a ser, na pr\u00e1tica, retrocesso social eivado de desconformidade constitucional e convencional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10- Fragilizar as regras jur\u00eddicas gerais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho \u00e9 negar a tutela legal deferida aos seus destinat\u00e1rios, h\u00e1 mais de setenta anos, e h\u00e1 mais de vinte e cinco refor\u00e7ada pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Contra essas proposi\u00e7\u00f5es retrocessivas se coloca a Anamatra, com fiel observ\u00e2ncia ao decidido em seus Congressos, ao comando de seu Estatuto e em defesa do Direito do Trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal O Globo, o novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho, defendeu a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas como sa\u00edda para a crise e criticou a parcialidade pr\u00f3-trabalhador que v\u00ea dentro deste ramo do Judici\u00e1rio. 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