Boletim do DIEESE destaca aumento da violência contra mulheres e desigualdades no mercado de trabalho

Um boletim especial divulgado pelo DIEESE para o Dia Internacional da Mulher de 2026 alerta para o crescimento da violência contra as mulheres no Brasil e para a persistência das desigualdades de gênero no mercado de trabalho. O estudo analisa dados recentes sobre feminicídio, violência doméstica e condições de inserção feminina no trabalho, evidenciando que esses fenômenos estão profundamente ligados a estruturas sociais de desigualdade.

Segundo o levantamento, 1.548 feminicídios foram registrados no país em 2025, média de quatro casos por dia e um aumento de 190% em relação a dez anos antes. A maioria das vítimas é composta por mulheres negras e grande parte dos crimes ocorre dentro da própria casa, frequentemente cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

O boletim também aponta que a violência de gênero se manifesta em diferentes espaços, inclusive no ambiente de trabalho. Em 2025, foram registradas mais de 155 mil denúncias de violência contra mulheres no país, sendo que parte delas ocorreu no local de trabalho, envolvendo inclusive empregadores ou colegas.

Apesar da melhora recente nos indicadores gerais do mercado de trabalho, as desigualdades de gênero permanecem significativas. As mulheres continuam enfrentando maiores taxas de desemprego, maior presença em ocupações informais e menor acesso a cargos de chefia. Em termos de renda, o estudo mostra que, em 2025, as mulheres receberam em média 21% menos que os homens.

O DIEESE destaca ainda que a autonomia econômica é um elemento central para romper ciclos de violência, mas fatores como a sobrecarga de trabalho doméstico, a discriminação e as desigualdades raciais continuam limitando as oportunidades das mulheres.

Diante desse cenário, o boletim reforça a importância de políticas públicas, ações institucionais e também das negociações coletivas, que podem incluir medidas de prevenção à violência, campanhas educativas e mecanismos de proteção às trabalhadoras vítimas de agressão. Para a entidade, o enfrentamento da violência de gênero exige mudanças estruturais na sociedade e no mundo do trabalho.